Estudantes que vão encarar o Enem e o vestibular se preparam para abrir mão da diversão

Estudantes vão se dedicar integralmente aos estudos.


Em Minas, há cerca de 260 mil estudantes, dos quais 31 mil em Belo Horizonte, que chegam ao terceiro ano do ensino médio e têm pela frente um período completamente atípico – os dados foram fornecidos pela Secretaria de Estado da Educação com base no último Educacenso. É bom lembrar que, além da pressão das provas finais e do sufoco do vestibular, vem a formatura. “Trata-se de um período delicado para os jovens, pois têm que tomar decisões importantes e levar em consideração as expectativas familiares. Há sofrimento e angústia, daí a necessidade de refletir muito sobre a escolha profissional e, durante todo o ano, organizar bem o tempo para conciliar estudo, lazer e descanso”, orienta a pedagoga e professora do Departamento de Educação da PUC Minas Solange Bonomo Assumpção (veja as dicas para os alunos). 

Residente no Bairro Gutierrez, na Região Oeste da capital, e aluno do Colégio Bernoulli, Eduardo recebe apoio integral da família. “Estamos todos no mesmo barco”, diz a mãe dele, a funcionária pública federal Clarisse Malheiros Canabrava Diniz, lembrando que ela, o marido e as gêmeas Flávia e Raquel, de 12 anos, estão solidários com o primogênito e vão até cancelar qualquer viagem no fim do ano. A família acaba de voltar da Disney, nos Estados Unidos, onde passou o Natal, e segue nos próximos dias para uma semana no litoral fluminense em visita à avó. “Depois disso, não haverá mais passeio. Vou estudar muito”, afirma o adolescente, enquanto brinca, na sala, com a cadelinha Lilica.

“O melhor que podemos dar aos filhos é a educação”, avalia Clarisse, que procura não interferir na escolha profissional de Eduardo. “Estamos unidos e dando todo o suporte. Ele gosta de história, português, inglês… Na verdade, estamos todos de vestibular”. O objetivo é fazer provas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e em outras instituições”, diz a mãe, que também se preocupa com a alimentação e procurou uma nutricionista. “Estou tomando umas vitaminas”, revela o estudante, disposto a socar mais uma vez o saco de areia. “Este aqui vai para a química!”, brinca.

De antemão, Eduardo sabe que alguns prazeres terão que ser cortados ou reduzidos, entre eles as festinhas de fim de semana, o bate-papo nas redes sociais, as idas ao cinema – uma das suas paixões –, a leitura de livros extracurriculares indicados pelo avô (o último foi a trilogia Millenium), o gosto pela música e o curso de inglês. “Ele já fala muito bem a língua, tem facilidade para idiomas, ficou dois meses no Canadá, quando tinha apenas 14 anos”, diz Clarisse. De repente, Eduardo lembra que a ansiedade permeia a vida de quem está no terceiro ano do ensino médio. “São momentos decisivos, temos que abrir mão de muitas atividades e focar no estudo.”

PERNAS PARA O AR 
A árvore de Natal ainda está montada e a figura de Papai Noel decora a sala do apartamento no Bairro Santa Tereza, na Região Leste de Belo Horizonte. Deitada no sofá, a estudante Bruna Melany Frishe Siqueira, de 17, lê o terceiro volume da série Fazendo meu filme, de Paulo Pimenta, e só quer descanso. Na semana que vem, viaja com a família para Cabo Frio (RJ) e sabe que, no retorno, o batidão será diferente. Aluna há 10 anos do Colégio Magnum, na Cidade Nova, a jovem decidiu que vai estudar administração na UFMG e pretende passar de primeira. “Estou de férias, mas impossível não ficar ansiosa. Estou doida para passar e ir para a universidade, não quero fazer cursinho de jeito nenhum”, conta Bruna, mesmo reconhecendo que não é lá muito caxias. 

Com um sorriso simpático, e sob o olhar carinhoso da mãe, Liliane Melany Frishe Siqueira, Bruna garante que vai  pegar firme nos estudos e se desdobrar, pois também quer ser da comissão de formatura do colégio. Sem namorado e vontade de ter um em 2013, a jovem conta que terá que dispensar o pagode com os amigos nas tardes de sábado, no bairro onde mora, e os shows do sertanejo universitário – “passei o réveillon, no Iate, na Pampulha, vendo o show de Munhoz e Mariano” – computador e dormir tarde. “O ano será diferente, eu sei, mas estou disposta e muito focada nos meus interesses”, resume a jovem.

 Se depender da irmã Flávia, de 14 anos, Bruna vai passar no primeiro vestibular. “Ela é a mais estudiosa da casa e está sempre mandando a irmã pegar os livros”, conta Liliane. Num gesto de brincadeira, Flávia fecha a cara e puxa a orelha de Bruna, confirmando o compromisso de ficar de olho em qualquer vacilo durante todo o ano. “Mas em julho eu vou passar uns dias em Porto Seguro para descansar”, avisa Bruna.

DICAS PARA OS ALUNOS 


>> AULAS

Os horários são de suma importância na vida estudantil, principalmente neste ano de vestibular. Portanto, ir à escola todos os dias, sem faltar, é imperativo. As anotações durante as aulas também são fundamentais para sistematizar (compreender e apreender as informações mais relevantes) os conteúdos abordados 

>> ORGANIZAÇÃO
Um ponto-chave para estudar é ter organização no dia a dia e saber administrar o tempo. Isso se traduz na divisão dos momentos de estudo em casa, atividades de lazer e intervalos de descanso 

>> LEITURA

Antecipar a leitura de um capítulo do material escolar (livro didático ou apostila) que vem à frente ajuda muito. Dessa forma, quando o professor for tratar do assunto, o aluno já terá conhecimento e ficarão mais fáceis a compreensão e as anotações

>> SIMULADOS

A cada três ou quatro meses vale a pena fazer exames simulados para testar os conhecimentos e avaliar pontos que merecem investimentos futuros. Também é bom fazer provas de vestibulares e de Enems anteriores para se familiarizar com a forma como o conteúdo é apresentado e os tipos de perguntas feitas

>> DESCANSO
Quem estuda muito precisa de repouso. Quando chegar da escola, o aluno deve almoçar, dar uma descansadinha e depois retornar aos livros com intensidade 

>> FIM DE SEMANA 

Todo mundo deve ter um dia livre na semana. Se estudar de segunda-feira a sábado, deixe o domingo para ir ao cinema, jogar bola, namorar, ficar com a família, enfim, fazer o que gosta

FONTE: Solange Bonomo Assumpção, pedagoga e professora do Departamento de Educação da PUC Minas

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