Os candidatos insatisfeitos com a nota atribuída pelos corretores dasredações do ENEM estudam a possibilidade de entrar com uma ação coletiva na Justiça para garantir uma correção justa e uma revisão da nota.
Os candidatos que se sentiram prejudicados criaram um grupo na rede social Facebook, que já possui mais de 12 mil participantesque reclamam de problemas na correção da redação. No grupo são expostos casos absurdos de equívocos na correção. Um deles é de um professor de Português, graduado em Letras e pós-graduado em Estudos Literários, que ano passado teve sua redação do ENEM corrigida com nota 960 e neste ano teve sua redação valendo apenas 460 pontos. Outro caso é de um estudante que fez uma redação de apenas 13 linhas e recebeu nota acima de 700, considerada redação de bom padrão.
Em entrevista ao jornal O Globo, um corretor que teve sua identidade preservada por contrato de sigilo se diz frustrado pelo fracasso das correções das redações. Segundo ele, um corretor ganha cerca de R$ 1,60 por prova corrigida. Eles dispunham de 2 a 3 minutos de correção por prova e 100 provas por dia para corrigir. O baixo valor e o pouco tempo fez com que muitos não se interessassem pelos critérios de correção, sem falar nos supervisores que tiveram aumento no trabalho sem correção da remuneração, fazendo com que alguns fizessem o trabalho, segundo ele, de “má vontade”.
O corretor, que também é professor de redação de escolas tradicionais do Rio de Janeiro, denunciou que tanto ele quanto os outros foram incentivados pela empresa contratada a dar nota entre 900 e 1000 a redações que valessem, em sua consciência, 600 pontos.
O MEC divulgou que vão ser disponibilizados os “espelhos de correção” de cada redação no mês de fevereiro. Apesar disso, os alunos não poderão solicitar uma nova correção. Enquanto isso, os candidatos insatisfeitos já disponibilizaram na internet um abaixo-assinado e estão acionando o Ministério Público para que seus direitos sejam garantidos.
Por Manoel da Costa Jr
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