Valquiria Lopes -
Correio Braziliense
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| "Fiquei espantado quando vi a notícia da reserva de metade das vagas. Concordo com a política do bônus, mas acho injusta a divisão", diz Vinícius Piassi Franco. Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A.Press |
Especialistas alertam que essa parcela sai duplamente prejudicada: de um lado, fica fora dos benefícios da nova lei – voltados para os que cursaram todo o ensino médio nas redes estaduais ou municipais, além dos que se autodeclaram de origem negra ou indígena –; de outro, veem diminuídas as chances de competir em pé de igualdade com os candidatos preparados em escolas ou cursinhos considerados de ponta. Isso porque, com as cotas, o número de vagas de livre concorrência nas federais foi reduzido à metade, o que faz dobrar o nível de disputa.
A discussão que põe em jogo o futuro dos jovens é, na avaliação do presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), Emiro Barbini, uma conta cara paga por quem faz um esforço imenso para tentar garantir a educação como herança. “Tem muitas famílias que hoje deixam de ter um lazer ou de adquirir um bem para oferecer o melhor que podem em termos de escola. Infelizmente, nem todas as particulares estão no mesmo nível e, apesar de serem tradicionais e boas escolas, algumas sobressaem na hora do vestibular”, afirma, sem fazer distinção de entidades.
Situação que a família da estudante do 3º ano do Colégio Frei Orlando Débora Mariana da Silva Marioto, de 17 anos, conhece bem. A jovem afirma que para pagar a mensalidade de R$ 756 os pais dela precisam fazer um esforço muito grande. “É desgastante para todos, porque às vezes queremos viajar ou comprar alguma coisa e estamos apertados. Além da mensalidade tem gasto com material didático, transporte e com almoço, já que este ano estudo em horário integral”, conta a estudante que mora no Bairro Glória, Região Noroeste da capital.
Para Débora, a reserva de 50% não resolve o problema da educação no país. “Se o governo quer fazer algo, que seja feito no processo de formação do aluno, nos ensinos fundamental e médio para que o estudante de escola pública chegue preparado à universidade”, defende. A estudante, candidata a uma vaga na federal no curso de biomedicina, diz não achar justo se esforçar tanto e ser prejudicada por uma política que tenta quitar uma dívida histórica.
Susto O estudante do 3º ano do Colégio Arnaldo Vinícius Piassi Franco, de 17, também reconhece o empenho da família para manter os custos de uma escola particular. “Venho do interior, e além da mensalidade de R$ 800 da escola temos outras despesas como aluguel do apartamento e todos os gastos para me manter fora de casa. Tudo isso é bancado pelos meus pais”, afirma. Temendo o funil em que pode ser transformar o acesso à universidade, Vinícius critica o projeto. “Fiquei espantado quando vi a notícia da reserva de metade das vagas. Concordo com a política do bônus, mas acho injusta a divisão”, diz o estudante, que será candidato ao curso de direito.
Apesar de também poder estar na lista dos prejudicados pelo projeto, o aluno do Colégio Frei Orlando Magno Peluso, de 17, é mais complacente com a política de cotas. “Concordo com a reserva de vagas, desde que para alunos que estudaram em escolas públicas. Seria uma medida paliativa para o problema da educação. Acho ridículas as cotas raciais, porque são uma forma de gerar ainda mais preconceito”, afirma.
Fonte:http://www.diariodepernambuco.com.br

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